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🖤 Julho das Pretas · Blog

Mulheres Negras:
Liderando a Inovação

"Porque mulheres negras não estão chegando à inovação. Elas sempre foram a inovação."

Lideranças da Comunidade Mulheres na Inovação ES

Mulheres da Comunidade Mulheres na Inovação ES

Quando pensamos em inovação, ainda é comum que as primeiras imagens que nos vêm à mente estejam associadas à tecnologia, laboratórios ou grandes empresas. Mas a inovação é, antes de tudo, a capacidade de transformar realidades. E poucas pessoas conhecem tão profundamente essa habilidade quanto as mulheres negras.

As mulheres negras sempre inovaram. Inovaram ao criar soluções para sustentar suas famílias diante da escassez. Inovaram ao empreender quando o mercado lhes fechava as portas. Inovaram ao construir redes de apoio, preservar conhecimentos ancestrais e transformar territórios onde o Estado e as oportunidades muitas vezes não chegaram.

Ainda assim, seguimos sendo pouco reconhecidas como protagonistas da inovação.

Essa invisibilidade não é fruto da ausência de competência, mas da forma como historicamente definimos quem pode ser chamado de inovador. Durante muito tempo, a inovação foi retratada por uma perspectiva que privilegiou determinados corpos, territórios e trajetórias, deixando de lado soluções desenvolvidas nas periferias, nas comunidades e nos negócios liderados por mulheres negras.

Essa realidade aparece também nas vivências de quem ocupa esses espaços hoje. Ao responderem à pergunta "Ser uma mulher negra na inovação é...", diferentes lideranças revelam desafios, potências e perspectivas que dialogam entre si.

Dandara resume uma experiência compartilhada por muitas:

Dandara
"Ter que se impor o tempo todo. Temos ideias e iniciativas incríveis, mas precisamos nos impor para estar no centro do que nós produzimos. É comum que, apesar de sermos inovadoras, estejamos sempre nos bastidores porque ainda estamos lutando para ter uma existência reconhecida como digna."
Dandara
Bióloga · Gestão da Inovação

Mas há também quem nos lembre que inovar é reconhecer aquilo que sempre esteve presente em nossa história. Como afirma Jéssica:

Jéssica Wanzeller
"Ser mulher negra na inovação é apenas pronunciar o óbvio, pois a vanguarda e a criatividade estão moldadas em nosso DNA. Nós hackeamos o presente com a sabedoria do passado e o que o mercado chama de disrupção, nossa ancestralidade sempre chamou de sobrevivência e potência. Dizem que estamos desenhando o futuro, mas a verdade é que o poder de criar e transformar sempre esteve em nós e em nossa ancestralidade."
Jéssica Wanzeller
Advogada · CEO Wanzeller Advocacia

Liderar a inovação também é fazer perguntas diferentes. É questionar para quem estamos inovando, quem está sendo incluído nas decisões e quem continua à margem das oportunidades. Uma inovação que não reduz desigualdades dificilmente pode ser considerada verdadeiramente transformadora.

Como afirma a escritora e intelectual bell hooks:

"Escolher uma perspectiva feminista é escolher o compromisso de acabar com a dominação."

— bell hooks, escritora e intelectual

Essa escolha também é um convite para repensarmos os espaços de poder e liderança.

A filósofa Djamila Ribeiro nos lembra:

"Lugar de fala não é impedir alguém de falar, mas compreender de onde as vozes partem."

— Djamila Ribeiro, filósofa

Quando ampliamos as vozes presentes nos ecossistemas de inovação, ampliamos também a qualidade das soluções que construímos.

As respostas dessas mulheres reforçam que inovação também é representatividade.

Para Patricia Lino, é:

Patricia Lino
"Ser inspiração e abrir portas e mentes para que mais mulheres alcancem seus objetivos profissionais e pessoais."
Patricia Lino
Co-fundadora · Mulheres na Inovação ES

Já Alessandra Baptista destaca a potência de integrar diferentes dimensões da atuação profissional:

Alessandra Baptista
"Ser mulher negra na inovação é transformar cuidado, ciência, gestão e representatividade em impacto social."
Alessandra Baptista
Assistente Social · ICEPi/SESA

E Gabriela Duque lembra que inovar também passa pelo reconhecimento da própria trajetória:

Gabriela Duque
"É acreditar que a inovação faz parte do seu DNA a partir da sua existência, e que é necessário tempo e repertório para validar isso."
Gabriela Duque
Diretora de Comunicação · Movimento Cidade

Na visão de Flávia Santos, liderar a inovação significa também ressignificar os espaços de poder:

Flávia Santos
"Ser uma mulher negra na inovação é ocupar os espaços que não foram pensados para nós e, através da nossa lente, imprimir diversidade, criatividade e, com isso, trazer novos resultados para todos."
Flávia Santos
Colaboradora da comunidade

Angela Davis nos provoca ao afirmar:

"Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela."

— Angela Davis, ativista e intelectual

Essa frase sintetiza o impacto da liderança das mulheres negras. Não se trata apenas de ocupar espaços, mas de transformar as estruturas por onde passamos.

Essa transformação também se manifesta no compromisso de abrir caminhos para quem vem depois.

Como afirma Ramira:

Ramira Lomeu
"É desafiador, pois trilhamos caminhos que antes não existiam, ocupamos espaços que não foram pensados para nós e sempre penso em como posso abrir ainda mais portas para a próxima geração. O que posso fazer para que esse seja um caminho mais acessível?"
Ramira Lomeu
Fundadora & CEO · Agência Lomeus

Na mesma direção, Verônica Lopes traduz a inovação como ferramenta de inclusão:

Verônica Lopes
"Transformar barreiras em possibilidades e garantir que a tecnologia amplie oportunidades para mais pessoas."
Verônica Lopes
Diretora-presidente · Instituto Oportunidade Brasil

E Miriam reforça que esse caminho só faz sentido quando inspira outras mulheres a seguirem adiante:

Miriam
"Ser uma mulher negra na inovação é transformar desafios em oportunidades, ocupar espaços com propósito e abrir caminhos para que outras mulheres também sintam que são capazes."
Miriam
Colaboradora da comunidade

Ao ouvir essas mulheres, fica evidente que a inovação não nasce apenas da tecnologia ou de novos modelos de negócio. Ela nasce das experiências, dos territórios, da ancestralidade e da coragem de quem transforma desafios em possibilidades todos os dias.

Para mim, ser uma mulher negra, com consciência de classe, raça e gênero, na inovação é abrir caminhos para que mais mulheres realizem toda a potência que carregam. É compreender que inovação não se limita à criação de soluções, mas é um instrumento para promover desenvolvimento econômico, social e cultural, capaz de alcançar as múltiplas esferas da sociedade e transformar realidades de forma coletiva.

No Julho das Pretas, mais do que celebrar trajetórias, somos convidadas a refletir: quais mulheres estamos reconhecendo como inovadoras? Quem está ocupando os espaços de decisão? E quais lideranças continuam invisibilizadas?

O futuro da inovação depende da nossa capacidade de ampliar perspectivas. E esse futuro já está sendo construído por milhares de mulheres negras que lideram mudanças diariamente, muitas vezes longe dos holofotes, mas sempre próximas das transformações que realmente importam.

Porque mulheres negras não
estão chegando à inovação.
Elas sempre foram a inovação.
Quem construiu este artigo

Colaboradoras
desta Edição

As vozes e trajetórias por trás das reflexões deste artigo.

Josy Santos
Autora deste artigo
Josy Santos

É diretora executiva do Instituto Cória e uma das principais referências nacionais em inovação social, com atuação voltada ao fortalecimento do empreendedorismo, da diversidade, da sustentabilidade e do desenvolvimento territorial. Administradora, é mestranda em Empreendedorismo e Negócios, possui formação executiva pela Fundação Dom Cabral (FDC) e especializações em ESG, Diversidade & Inclusão, Responsabilidade Social Corporativa e gestão de pessoas. É fundadora da Comunidade Mulheres na Inovação ES, diretora de Diversidade da ABRH-ES e conselheira estratégica do Instituto Oportunidade Brasil (IOB).

Dandara
Citada no artigo
Dandara

Bióloga, pós-graduada em Gestão da Inovação, mestra em Ecologia de Ecossistemas e doutoranda em Oceanografia Ambiental. Trabalha com gestão de projetos ambientais e socioambientais, com vasta experiência em estudo do impacto de grandes desastres em comunidades tradicionais e reparação de danos.

Jéssica Wanzeller
Citada no artigo
Jéssica Wanzeller

Advogada especialista em processos, contratos e pessoas, focada em transformar o ambiente corporativo com soluções sustentáveis. CEO do Wanzeller Advocacia e fundadora-presidente do Instituto Ènìyàn, onde lidera iniciativas de impacto social com articulação, inclusão e justiça por equidade.

Patrícia Lino
Citada no artigo
Patrícia Lino

Gestora de projetos de relacionamento corporativo estratégico, especialista em comunidades, inovação e ecossistema de negócios. Formada em Publicidade e Propaganda, com MBAs em Gestão de Empresas, Marketing, Branding e Growth, e IA para Negócios. Acredita que inovação é, acima de tudo, um modelo mental.

Alessandra Baptista
Citada no artigo
Alessandra Baptista

Assistente social, com MBA em Planejamento de Políticas Públicas de Gestão, servidora pública estadual há mais de 25 anos e Chefe do Núcleo de Educação e Formação do ICEPi/SESA. Idealizadora e host do Lab Menos Pausa, plataforma sobre climatério e menopausa.

Gabriela Duque
Citada no artigo
Gabriela Duque

Uma das maiores vozes do Brasil em empreendedorismo periférico, impacto social e liderança feminina. Diretora de Comunicação e Marketing do Movimento Cidade, já palestrou no México, Marrocos, Angola, Colômbia, Portugal e Espanha, e em empresas como Sebrae, Vale, Nubank, FIESP e Shell.

Ramira Lomeu
Citada no artigo
Ramira Lomeu

Fundadora e CEO da Agência Lomeus, estrategista de marketing digital, palestrante e mentora.

Verônica Lopes
Citada no artigo
Verônica Lopes

Diretora-presidente e cofundadora do Instituto Oportunidade Brasil. Administradora com mais de 20 anos de experiência, MBA em Marketing pela FGV, mestre pela Fucape e formação executiva em Governança e Sustentabilidade pela Fundação Dom Cabral (FDC).

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